Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Momentos assim passam, e a vida logo nos chama à responsabilidade. Definitivamente aquela não era a vida que eu queria. Mas tinha consciência disso, mas não via alternativas e continuava naquela rotina insípida. Isso só fazia minar meus frágeis sonhos, abalando muito minha saúde. Eu ficava ansioso para que chegasse o fim-de-semana, com ele novos porres, mulheres, devaneios... Meus dias eram assim.

Um certo dia, uma sexta-feira à noite, me dirigi a um clube de subúrbio onde havia um ensaio de Escola de Samba, onde fiquei até o seu final. Eram duas horas da madrugada, do dia 8 de dezembro de 1973. De repente ouviu-se o espoucar de tiros de arma de fogo, e meu corpo inerte caído no chão, motivado pela bala que chegou a transfixar meu crânio. Eu estava entre a vida e a morte... Fui internado com urgência no Prontoneuro do Hospital Português, e submetido a uma delicada intervenção cirúrgica que durou oito horas. O pátio do hospital estava repleto de amigos, todos querendo saber do meu estado de saúde. Involuntariamente eu fazia muita gente sofrer. Meus pais estavam arrasados, inconsoláveis, e várias pessoas passaram a fazer todo tipo de promessas.

Enquanto isso, eu estava em coma profundo. Nesse período de coma, eu emitia gritos que ecoavam além limites da UTI. Após uma semana assim, desperto e fico perplexo com tudo que vejo. Não sabia onde estava, o que faziam aquelas pessoas vestidas de verde com máscaras a me olhar, absolutamente nada eu entendia. Todas me faziam perguntas, e eu mal podia responder, então pensei que estava sonhando. Depois que todos se retiraram, reconheci meu irmão Germano aos pés da cama, olhando para mim. Não conseguia articular corretamente a voz, e a minha curiosidade em querer saber o que se passava comigo, era adiada por mais uns dias. Eu olhava meu irmão olhando para mim, com um olhar curioso de quem queria saber algo, e logo começavam a escorrer lágrimas do canto de meus olhos...

 

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