Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Penso que sou uma pessoa boa e sensível. Sempre gostei de ler e ouvir uma boa música. Gostar de ajudar as pessoas sempre esteve em meus planos. Muitas vezes chegava em casa sem a minha camisa, e minha mãe já estava acostumada a isso. Eu ajudara alguém que precisava mais que eu, mas imaginava que era preciso fazer algo de forma efetiva porém não sabia como, embora continuasse tendo esperança de conseguir isso um dia. Sou uma pessoa fácil de se emocionar, e não é difícil alguém perceber lágrimas escorrendo sobre minhas faces. Sinto uma necessidade imensa de ser bom, cada vez melhor, mas a realidade do meu dia-a-dia me frustra e não consigo o meu intento. Estou sempre a dever... Preciso dizer ao mundo que me ajude a receber o amor que reside em meu peito. Recebam, por favor, o amor que é de todos vocês, pois não há sentido dele viver apenas em mim. O poeta Carlos Drummond disse tudo nesta frase: "tenho duas mãos e o sentimento do mundo". Mas um dia chegou a vez de eu receber alta. O mundo lá fora me esperava, indiferente aos meus questionamentos e à minha dor, e mais uma despedida acontecia comigo.

Passei a fazer fisioterapia todas as tardes, e Jane era quem me levava para a clínica e me trazia. Mas dentro de mim existia um vácuo e uma tristeza que não sabia explicar o porquê. Esse sentimento não desaparecia, ao contrário, aumentava com o passar dos dias. Durante o percurso eu via carros em disparada para todos os lados, e o cheiro de combustível queimando me fazia mal. Calor, o suor escorrendo, barulho, poeira no ar, pessoas andando rápido, de um lado para outro, por ruas tortuosas, todas buscando conferir seus afazeres, num aprendizado diário daquilo que chamamos de vida! Eu percebia, mais que nunca, que viver é um ato constante de equilíbrio e movimento.

 

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