Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Junho de 1976. Lá ia eu rumo ao Rio de Janeiro. Já dentro do avião meu irmão me fazia companhia e me acalmava em mais uma dorida despedida. Eu estava nervoso, intranqüilo com mil interrogações na cabeça. Estava de volta ao Rio, mas desta vez fragilizado, um homem perdido no tempo. Pensava no acidente que me deixara assim: e eu era aquele pássaro em pleno vôo, quando uma arma assassina me atingiu em cheio. "Acorda Luizinho, cadê tua esperança, cadê a tua fé?" Fé! Palavra mágica!

O avião corria célere, indiferente à minha dor. No meu nervosismo, pedi à aeromoça um copo d'água. Depois de um esforço tremendo, reuni coragem e olhei pela janela do avião. O que vi não tinha preço, um espetáculo indiscritível! O pôr-do-sol visto a dez mil metros de altura. Ao mesmo tempo que lindo, era bastante triste: algo que se vai, depois só nos resta a escuridão. Aquele postal mais parecia meu estado d'alma, já que acabara de provar uma despedida e as lágrimas ainda se faziam sentir. Mas chegamos ao Rio de Janeiro. O Rio visto de cima é lindo! Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara.

Na manhã seguinte, eu já estava naquela que era a maior clínica de reabilitação do País. Na entrada havia a Faculdade de Fisioterapia, adiante íamos encontrar o bloco anexo do hospital, a seguir o bloco central onde abrigava cerca de cento e trinta pacientes internos. Mais um bloco cirúrgico, uma lavanderia, várias oficinas ortopédicas, um refeitório, um sala especial onde estava instalado o CLAM (Clube dos Amigos da ABBR), uma quadra esportiva, uma piscina, um ginásio, STI (Setor de Tratamento Individual), recepção, escritório, salas de diretoria, uma lanchonete. Tudo isso era a ABBR. Sem falar nos seus trezentos funcionários e pacientes externos, cerca de mil pessoas. Ali estavam depositadas todas as minhas esperanças.

 

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