Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Eu já havia passado pela avaliação, onde ficara acertada toda a minha programação, relacionada à carga de exercícios que faria diariamente. Das 8:00 às 9:00 tábua ortostática; 9:00 às 10:00 hidroterapia em piscina; 10:00 às 11:00 STI; 12:00 almoço. Das 14:00 às 15:00 terapia ocupacional; 15:00 às 16:00 exercícios no ginásio. Eu me acostumava rapidamente a tudo aquilo, e a seção de vinte minutos de gelo, da região ignal até o tornozelo, era o meu pior momento.

Logo fiquei a par de toda parte física da clínica. Conheci também médicos, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, funcionários gerais e o corpo diretivo. O fato é que aos poucos fui ganhando a simpatia de muitos deles, passando a ser todos meus amigos. Fiquei conhecido por todos, não pelo meu nome, mas por Pernambuco. Era um tal de "Pernambuco" pra cá, "Pernambuco" pra lá, e aos poucos ia granjeando novos amigos, ao passo que aumentava para mim a responsabilidade por esse carinho espontâneo. Em poucos dias fiz amizades com mais de cem pacientes, e logo me ofertaram o cargo de Diretor Hospitalar do CLAM/ABBR, um clube interno para pacientes e ex-pacientes, responsável direto pela integração de pessoas deficientes à sociedade. A função desse clube era de vital importância, tanto que em nada ficava a dever aos exercícios que fazíamos a cada dia. A interação entre pacientes novos e ex-pacientes era de fundamental valia. A experiência de vida que nos era passada servia para readquirirmos a confiança perdida. Eles levavam suas vidas ativas, muitos casados, trabalhando, dirigindo seu próprio carro adaptado, etc.

Aos domingos, minha prima Selma sempre ia me visitar. Ela morava em Ipanema, bairro Zona Sul do Rio, onde existe uma famosa praia. Certa tarde eu estava em companhia de Nádia, uma moça que se recuperava de um acidente, e que chamava atenção pela beleza física, quando ela chegou. Quando Selma se dirigia para me cumprimentar, ao mesmo tempo Nádia se levantava para nos deixar a sós. Mas antes, passando a mão no meu rosto, disse: "tchau, à noite, depois do jantar, preciso conversar com você".

 

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