Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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O Clube Náutico Capibaribe era o meu clube preferido. Toda minha família era alvirrubra, seguindo a orientação de meu pai. Freqüentei o Náutico por mais de dez anos seguidos, tempo suficiente para alcançar o clube em seu grande apogeu, pois de 1963 a 1968 o Clube Náutico conseguiu o honroso título de hexa-campeão de futebol pernambucano. O time de futebol que conseguiu essa façanha, segundo a ótica de Pelé, estava dentre os três melhores do mundo, que ele vira jogar. Os dois outros eram o Palmeiras, de Ademir da Guia, conhecido à época como a "academia de futebol", sendo o terceiro o próprio Santos, de Pelé e Cia, claro!

Freqüentei por vários anos sua sede social e cheguei a presenciar a inauguração de seu parque aquático. Em sua sede jogávamos sinuca, basquete, futebol e o que aparecesse mais. Brinquei anos seguidos os seus famosos carnavais, os mais disputados pela alegria e animação que os caracterizavam. O Náutico foi muito presente em minha adoslescência, cuja importância não posso negar em minha vida, a ponto de merecer esse registro. Quem nunca ouviu falar, alguma vez na vida, daquele legendário time de futebol com seus destaques, Lula, Gena, Mauro, Salomão, Fraga, Clóvis, Nado, Bita, Nino, Ivan, Lala?

O Clube Náutico Capibaribe tinha um traço em seu perfil muito negativo que o acompanhou até o ano de 1960, quando não admitia em seus quadros atletas de cor, muito menos sócios. Para se ter uma idéia, o primeiro treinador de futebol negro, admitido na história do clube, foi Gentil Cardoso, mesmo assim a contragosto de muitos. Esta página demorou muitos anos para ser virada. Era o clube da elite pernambucana, onde os aristocráticos predominavam, onde seus pontos de vista eram sempre acatados por uma casta insensível de dirigentes racistas e preconceituosos. Hoje a realidade é bem diferente, com o clube atravessando dias nebulosos, parecendo viver apenas de recordações.

 

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