Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Fim de setembro de 1977 e o mandato da diretoria do CLAM terminando. Como já era tradição, o presidente daquele clube estava pronto para passar os cargos e suas atribuições a uma nova diretoria, numa simples e anacrônica reunião. Pensei bem e resolvi em cima da hora modificar os estatutos e preparar o clube para sua primeira eleição direta, através do voto livre e secreto. Teriam direito a voto todos os pacientes, internos e externos, além do corpo de funcionários. Queria pôr sangue novo ali, oxigenar o ambiente, tornando-o mais participativo e democrático.

Tomadas as primeiras providências, parti para uma campanha tentando me eleger presidente. Formei uma chapa e comecei a pedir votos em todo lugar. Aquela minha idéia já tinha conseguido respostas favoráveis por parte de todos e durante dois dias foi o assunto dominante em vários setores. Dessa forma eu já havia conseguido o meu objetivo, antes mesmo da realização das eleições. De repente surgiu uma chapa de oposição, e uma outra com o nome "Pernambuco", tentando subdividir forças e confundir os eleitores. Eu era muito querido por muita gente, mas devo confessar que encontrava resistências por parte de alguns pacientes antigos, acostumados a mandar e desmandar ali. Era natural que fosse assim, caso contrário não seria necessário mudar nada.

O dia das eleições chegou. As eleições começaram às 9h00 só terminando às 17h00. Foi grande o movimento durante todo transcorrer do dia e aquela festa jamais será esquecida por aqueles que participaram. Havia apenas uma urna e ao lado a lista com as assinaturas. Após o encerramento, era grande o número de pessoas esperando o resultado. Contados todos os votos, a nossa chapa recebeu 108 votos contra 28 da oposição e só 8 da chapa fantasma. Foi uma vitória folgada e comemoramos à base de refrigerantes e cafezinho. Creio que a vitória foi de todos e a democracia saiu fortalecida dessa vez.

 

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