Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Fevereiro de 1978. Eu estava indo em direção ao refeitório, quando de repente me vi forçado a parar a cadeira de rodas. Alguém segurava a cadeira, pondo sua mão nos meus olhos, a perguntar quem era ela. Como estava meio difícil para eu adivinhar, ela usou o artificio de me beijar a boca levemente, e logo arrisquei de pronto: "claro que é você, Nádia..." A partir daí ela ria muito, e logo começou a empurrar a minha cadeira até o refeitório, onde passamos a conversar. Aquela moça cansou das vezes em que brincava comigo, daí tamanha amizade e liberdade juntas. Ela estava ali em busca de alguns recibos seus, para efeito de dedução no imposto de renda. Dizia estar com saudade minha e logo me intimou dizendo-me: "Prepara-se para conhecer a minha casa na praia no próximo domingo. Esteja pronto às 9h00, à noite eu devolvo você."

Eu não tinha outra coisa a fazer senão aceitar. Falei para Lindolfo que naquele sábado eu não poderia ir à sua casa e fiquei aguardando o domingo chegar. O domingo chegara e já dentro do carro eu percebia Nádia dirigindo com cuidado e atenção. Demonstrava também alegria por estarmos juntos em mais um daqueles encontros. A praia tinha um cheio forte de maresia e o ar era carregado de salitre. Procurei saber dela se não iria aparecer ninguém por lá, no que me afirmou negativamente. Depois me mostrou um álbum de fotografias, só com fotos suas, cada uma mais linda que outra. Tenho uma foto dela comigo até hoje. Como era bonita aquela moça... e eu por instantes a tinha em meus braços.

E logo viriam os amassos, os beijos apaixonados, tudo isso sob um silêncio cúmplice. Almoçamos lasanha e comemos algumas frutas. A tarde inteira passamos juntos e conseguimos até dormir um pouco. A janela aberta deixava entrar um vento gostoso e nos amamos sem nenhuma pressa, cedendo aos nossos desejos. Ao me deixar na clínica, ela e eu trocamos um beijo de despedida. Ela logo se foi, silenciosamente...

 

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