Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Na ABBR era assim, não havia rotina. Lá dentro era tudo movimento, a vida pulsava naquele lugar. Parece um paradoxo: justo naquela clínica, onde tantas pessoas cuidavam de suas imobilidades, havia por parte de todos um esforço enorme para que o dia-a-dia nosso transcorresse de forma produtiva, onde os exercícios pudessem andar aliados a inumeras tarefas, tornando a nossa estada ali em algo não só proveitoso, como também prazeroso.

Certo dia eu conhecera uma moça de nome Eliane, pessoa fantástica e de uma riqueza interior imensurável. Aos poucos a nossa amizade foi se transformando e dera lugar a outro tipo sentimento, o amor. Mal começamos a namorar e ela já elaborava alguns planos para um dia se mudar de Porto Alegre para, ao meu lado, fixarmos residência no Rio de Janeiro. Tudo estava acontecendo muito rápido e eu tinha receios de toda aquela empolgação redundar em nada. Com Eliane aprendi uma coisa para sempre: quando a gente sentir que ama uma pessoa, não devemos demorar em declarar esse amor por nada desse mundo, mesmo podendo amargar o dissabor de não ser correspondido. Nada de medos. Quem ama de fato não espera nada em troca. Há que se arriscar todos os dias, se todos os dias encontrarmos alguém amável. Foi assim que um dia eu amei Eliane e tenho certeza de ter sido amado por ela também.

Mas já estava chegando o dia de seu retorno ao RS e o nosso namoro seguia indiferente a tudo isso. A cada dia eu descobria novos atributos em sua maneira de ser, isso fazia crescer minha admiração por ela. No dia que antecedeu à sua viagem, ficamos a namorar até às 3h00 horas da madugada. Ali mesmo nos despedimos, quando a vi partir rápido sem querer olhar para trás. O engraçado na minha vida era o fato de eu ter sido uma pessoa de muitos amores, de ter vivido muitas paixões, mas não sei porque tudo passava rápido demais, e quando menos eu esperava estava abraçado a mais uma despedida... Tudo levava a crer que o meu sonho de ter comigo uma companheira, de constituir família e de ter filhos, começava a sinalizar para o inatingível.

 

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