Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Dia da viagem. Eu não me despedi de ninguém, à exceção do enfermeiro Natanael e da servente Lúcia - essa grande mulher e amiga que tanto bem me fez e muito me ajudou. Soube posteriormente que ela havia pedido demissão da ABBR, por discordar dos métodos lá empregados, e não mais contar com a minha presença amiga, pessoa que sempre estivera ao seu lado e muito a ajudara - palavras dela. Ao tomar conhecimento desse detalhe, através de carta de uma amiga, é claro que não me contive e cheguei às lágrimas. Por essas e outras é que tenho certeza que deixei uma família no Rio de Janeiro. Isso toca fundo em minh'alma. Por esse motivo passei a ser uma pessoa dividida. Talvez eu tivesse de ser escolhido a passar o resto de minha vida abraçado à saudade.

Mas chega o dia da viagem e tratei de rumar direto para o Aeroporto do Galeão. Não foi surpresa para mim ter encontrado a amiga Rosa, à minha espera. Ficamos a conversar por uma meia hora e logo nos despedimos. A viagem transcorreu normalmente e agora eu já estava no Recife. Minha família estava toda à minha espera. Visualizei a minha mãe e o meu pai; Germano e Isis; Tininho e Niedja; José Ângelo e Grace; e as irmãs Augusta, Fátima e Celina. Além deles o tio Lídio e o primo Marcelo. Eu estava reencontrando os meus familiares depois de longos anos, e era muito bom isso. Mas, uma saudade maior que o meu peito tomara conta de mim. Saudade dos amigos que ficara para trás e que tentava empanar o brilho daquele reeencontro.

Eu estava mais uma vez recomençando e precisava afastar a saudade para o lado e enfrentar a dureza do dia-a-dia. Aquele meu reencontro com a família era um momento importante, mas infelizmente fugaz. Saudade... Eu diversas vezes provei o amargo dessa fruta. Não recomendo para ninguém, mas sei que é tremendamente necessário prová-la. Só assim poderemos valorizar o essencial quando nos afastamos por inteiro do acidental.

 

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