Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Março de 1985. Tancredo Neves ganhava a chance de se tornar o último presidente eleito pelo voto indireto, batendo Paulo Maluf pelo voto indireto dos congressistas. Tancredo afirmara que o seu mandato duraria apenas quatro anos, sendo o próximo presidente eleito pelo voto secreto e direto da população. A festa estava toda programada, tudo organizado para o dia de sua posse, quando a imprensa noticiou o seu internamento no Hospital de Base de Brasília para se submeter a uma cirurgia de emergência. Não poderia ter pior notícia que esta, pegando a todos de surpresa. Definitivamente o povo brasileiro parecia então marcado pela má sorte. O destino fora cruel conosco e a diverticulite de Tancredo Neves viria causar um grande mal-estar na população, além de levantar inúmeras suspeitas. Logo uma série de polêmicas seria estabelecida nos meios de comunicação.

Em meio à grande confusão, José Sarney assumiria a presidência, vindo a comandar um Governo sem nenhum respaldo popular. O povo continuaria órfão e as primeiras medidas de impacto serviriam apenas para angariar a simpatia e o prestígio da população. Eu, diante desses acontecimentos, via aumentar a minha frustração e tratei logo de buscar novos caminhos para arejar a minha mente. A TV-Educativa do Rio de Janeiro, TV Universitária de Pernambuco, exibia em sua programação o "Boa-noite", sob o comando do pastor Jonas Resende. Era uma reflexão de cinco minutos apenas, indo ao ar de segunda à sexta, cujo objetivo serviria para elevar os valores nobres da humanidade, tendo como pano de fundo a crença inalienável na vida e, principalmente, em Deus, e no seu Filho Jesus. E sempre terminava nos desejando "um feliz amanhecer". Muito bem, resolvi escrever uma longa carta ao pastor Jonas Resende, declinando todo meu repúdio ao atual status quo, além de afirmar o meu ceticismo em relação a Deus. Após dois meses, sem que eu mais esperasse, o pastor Jonas me fez uma surpresa, através da TV-Universitária, ao me responder via carta aberta. Suas palavras me comoveram e me levaram às lágrimas. Uma homenagem linda, que tenho guardada em fita até hoje comigo. Essa seria a primeira de um série de correspondências que iríamos trocar, recebendo sempre dele uma palavra de conforto, de fé, de esperança e de estímulo a viver a vida.

 

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