Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Finalmente me chegou a notícia daquele emprego no Rio de Janeiro, que eu tanto acalentei. No dia 20 de janeiro de 1992, eu estava participando novamente de mais uma despedida... Essa minha mãe é uma mulher fantástica! Pessoa de muita fibra e acostumada às adversidades da vida. É uma heroína, pessoa doce a qual devoto um amor imenso. No portão de nossa casa nos despedimos mais uma vez chorando, em total silêncio. Uma maneira de demonstrarmos o nosso respeito um pelo outro... Durante toda a viagem, não pude esquecer o seu semblante alegre, ao mesmo tempo triste, por demonstrar toda sua preocupação com as coisas que eu iria enfrentar mais adiante. Ao chegar na empresa, vi que estava reservado para mim um quarto todo adaptado às minhas necessidades. Era uma suite confortável e ampla e a atenção dos proprietários comigo eu logo reconheci, sendo agradecido por isso até hoje.

Eu passei logo a trabalhar no 1º andar do escritório, onde teria de me familiarizar com uma máquina chamada computador. Relutei a princípio e pedi às pessoas que me dessem uma máquina de escrever elétrica, que me daria por satisfeito. Mal sabia eu que essa ferramenta de trabalho estava com seus dias contados. Mas as pessoas trataram de me ajudar e assim eu fui conhecendo e aprendendo a lidar com ele. Durante as folgas, eu fazia de tudo para contatar as minhas velhas amizades, querendo a todo custo trazer um passado agradável àqueles dias atuais. Aí se dera a minha primeira e grande decepção. Na solidão de meu quarto, passei a telefonar para algumas pessoas, sendo Rosa a primeira delas. Ao saber de minha presença no Rio, ela foi logo me convidando para um jantar em sua residência. Eu não fui ao jantar, mas nos falávamos quase que diariamente, quando um dia eu soube que ela estava se mudando para Juiz de Fora. Rosa estava bem casada e já era mãe de três filhos.

O tempo passa para todos e cada um segue o seu caminho. Meio decepcionado, sentindo-me só, busquei contatar outras pessoas, mas praticamente todas estavam numa outra condição que não aquela de 14 anos atrás... Uma turma imensa de amigas, que eu havia conhecido um dia, simplesmente havia se dissipado, indo cada uma para um lado. Da tristeza à dor foi um passo. Eu estava inteiramente defasado, meio perdido diante de um outro Rio de Janeiro. Aquela cidade já não exercia nenhum fascínio sobre mim. Perdera o encanto e o perfume que antes existiam, simbolizados em cada amigo e amiga que foram importantes para mim e que eu amei um dia. Consciente disso tudo, tive de aceitar a dureza dessa triste realidade. Comecei a sentir saudade e sofrer de solidão. Aos sábados e domingos eu me contentava em apenas descansar, ouvir músicas e assistir aos medíocres programinhas de tevê. Os dias passavam e a minha tristeza ia se aprofundando, até que, no mês de maio de 1992, resolvi que teria de voltar imediatamente ao Recife. Viver ali, naquelas condições, não fazia o menor sentido para ninguém, nem para mim.

 

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