Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Finalmente, de volta ao Recife, eu agora passaria a abraçar uma ociosidade nunca imaginada, muito menos sentida. Isso acarretaria em mim algumas enfermidades. Mal chegou janeiro de 1994, quando mergulhei de cabeça numa terrível depressão. Mais que isso, estava eu diante de um séria crise existencial. Fui rapidamente ao fundo do poço, ficando por lá um bom tempo. Psicólogos, psiquiatras, remédios e cuidados médicos passaram a fazer parte do meu cotidiano. Cansei de pedir a morte e cada pessoa à minha volta era uma inimiga em potencial. Eu cheguei a não ter a mínima idéia de tempo, tendo os dias e as noites se confundido em minha cabeça. Que tragédia era viver assim. O meu pai, já bastante adoentado nessa época, no dia 9 de junho de 1994 dava adeus à vida, e morria para esse mundo. Não pude sequer chorar a sua morte, tamanha era a minha dispersão. E os dias se seguiam sem que eu viesse a melhorar em nada.

Certo dia busquei a solução para o meu sofrer, tentando o suicídio. De uma só vez, ingeri muitos comprimidos antidepressivos. Comecei a sentir medo e meio covarde resolvi telefonar às minhas irmãs, que trataram de me levar a um hospital mais próximo. Passado o vexame, certo dia recebi a visita da prima Maria Celeste, médica que reside em Salvador. Após longa e proveitosa conversa, ela me receitou Florais de Bach, cuja medicação me fez bem por um bom tempo. Assim eu ia levando a minha vida, sem notar para o que realmente me acontecia. Foi então que uma outra prima passou a me visitar, dessa feita era Natália, e logo começamos a sair juntos. Ao seu lado, cansei de contemplar o mar, na praia de Boa Viagem. Ela se mostrava uma amante da boa poesia portuguesa e declamava versos de José Régio para que eu os ouvisse. Numa certa noite de luar, ela me chega em casa dizendo que estávamos matriculados num curso de pintura. As aulas aconteciam no Espaço Badida, nos Aflitos, à noite uma vez na semana, num espaço de tempo aproximado de três horas. Natália eu nos gostávamos muito e eu a tinha na conta de uma pessoa muito especial.

 

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