Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Domingo, 15 de agosto de 1999. Eu fora à Igreja. O culto transcorria normalmente até que o pastor Paulo chegou-se mais à frente e olhando para o público chamou uma moça para junto dele e falou: "Ah, essa aqui é Débora! Essa moça tem uma história linda de vida para nos contar". E logo passou o microfone para ela, indo sentar-se para escutar também. Eu sequer ouvira a sua voz e já sentia uma empatia enorme por ela. Ela começou a falar e a sua voz se fazia ouvir por toda Catedral. Seu timbre de voz era firme, mas manso. Dominava bem o seu espaço e demonstrava ter certa intimidade com o microfone. Sua articulação era perfeita e a sua história começa a impactar os irmãos ali presentes.

À medida em que falava ia crescendo aos nossos olhos. Só ela parecia estar ali presente, não fora os anjos de Deus a lhe fazer companhia. As pessoas estavam todas comovidas e aos poucos lágrimas brotavam dos olhos de muita gente. Lembro-me que chorava sem cessar e dentro de mim o meu amor por ela tomava dimensões outras. Eu, que vivo em meio às minhas inúmeras limitações, só pensava em ampará-la e ajudá-la de alguma forma a esquecer os possíveis dissabores de outrora. Por instantes eu esquecera ou ignorava os braços de Jesus a segurá-la e a presença restauradora de Deus em sua vida. Não me lembro de ter ouvido um testemunho tão forte, tão bonito quanto aquele. Deus, que nos sonda e nos conhece a todos, passara a saber do meu amor que nascia por ela. Mas não se trata de um amor inconseqüente, muito menos compromissado com algo em troca. É um amor maduro, cúmplice, sereno.

Ah, minha querida Débora, agradeço a Deus por tê-la colocado em minha vida. Aquele que poderia ser apenas um dia de domingo, passou a ter uma conotação especial para mim. Ao final do culto, uma fila se formou para que todos pudessem abraçá-la e parabenizá-la pela pessoa que é. Eu gostaria muito muito de poder fazer o mesmo, mas as barreiras arquitetônicas e o grande número de pessoas à sua volta sinalizavam que eu teria de sufocar essa minha vontade. Saí meio frustrado, calado e pensando nela. Mas não me rendi... À tarde telefonei para dona Márcia pedindo para ela entregar o meu telefone para Débora para um posterior contato. Na terça-feira ela me telefonou quando sacramentamos essa amizade que perdura até hoje.

 

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