Veredas de uma Vida

Luiz Maia

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Junho de 1970. Duas coisas inesquecíveis aconteciam comigo. Primeiro eu estava me mudando para um apartamento, juntamente com os amigos Antonio, José Carlos e João Turugo. Compramos alguns móveis: camas, um sofá, uma vitrola, TV e um fogão. Contratamos os serviços de uma empregada para fazer as tarefas diárias, coisa nada fácil já naquela época. Dividíamos todas as despesas pelos quatro: aluguel, empregada, supermercado e algumas prestações em comum. Zé Carlos e João residiam no município de Capivari, interior próximo de Campinas. Trabalhávamos todos no mesmo escritório, isso facilitava muito nossas vidas. Íamos para o trabalho a pé, já que o apartamento ficava no mesmo bairro do Bom Retiro, um reduto dos Judeus. Começaria uma vida nova para mim, com reais perspectivas pela frente.

Não demorou muito e o país mergulhou na desenfreada torcida para a seleção de futebol tornar-se tricampeã no México. Sendo um amante do futebol, dificilmente perdia os jogos do Corinthians. Ao lado de João, íamos a todos os jogos, fosse noite ou fosse dia, por isso chego a entender os jovens de hoje que fazem de tudo para ver seus clubes jogarem, de preferência ganhando os jogos e vibrando a cada emoção. Eu fui assim um dia.

Mal a Copa do Mundo dera início e o Brasil já triturava um a um seus adversários. Nós assistíamos aos jogos juntos, no local de trabalho. Henriquinho levava seu televisor portátil, e após o término de cada jogo saíamos para comemorar na cantina mais próxima. Lugar para se comer e beber é o que não falta em São Paulo. Durante um mês respiramos apenas futebol. Enfim, chegou a finalíssima! Em campo estavam Brasil e Itália. Antonio, eu e Jaime fomos assistir ao jogo na casa de Víctor, aproveitando a ausência de seus pais que haviam ido ao interior. À medida em que o jogo ia transcorrendo, nós outros bebíamos tudo que tinha pela frente. Lá pela metade da partida estávamos os quatro completamente bêbados, abraçados para comemorar o título de tricampeão mundial de futebol. Acontece que estamos bêbados demais, e assim mesmo resolvemos fazer a besteira de sair de carro para comemorar na Av. Paulista. O carro era um fusquinha de Jaime, e até hoje não sei como posso estar aqui contando essa história, pois o que cometemos de imprudência, de irresponsabilidade e insanidade juntas ninguém pode imaginar jamais. Por pouco não morremos naquele dia. Quanta bobagem em vão!

 

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